Posted by: APO | 19 November 2012

70% das mulheres africanas não têm acesso a uma casa de banho segura, o que aumenta o seu risco de doença, vergonha, assédio e violência


70% das mulheres africanas não têm acesso a uma casa de banho segura, o que aumenta o seu risco de doença, vergonha, assédio e violência

LUANDA, Angola, November 19, 2012/African Press Organization (APO)/

  • aqui : http://www.wateraid.org/1in3mediabriefing

    Sete em cada dez mulheres na África Subsariana não têm acesso a uma casa de banho segura, o que ameaça a sua saúde e as expõe à vergonha, ao receio e até à violência.

    Isto significa que no Dia Mundial das Casas de banho, 19 de Novembro, 297 milhões de mulheres e meninas africanas não têm acesso a instalações sanitárias adequadas e, entre estas, 107 milhões não têm acesso a qualquer casa de banho.

    Uma pesquisa comissionada pela WaterAid, entre mulheres que vivem em cinco bairros degradados em Lagos, na Nigéria, demonstrou que uma em cada cinco mulheres teve uma experiência, directa ou indirecta, de assédio verbal e intimidação ou foi ameaçada ou fisicamente molestada no último ano durante uma ida à casa de banho. Evidências anedóticas de outros países africanos sugerem que a escala do problema pode ser muito superior a estes dados.

    Logo WaterAid: http://www.photos.apo-opa.com/plog-content/images/apo/logos/wateraid.jpg

    Barbara Frost, Chefe Executiva da WaterAid, afirmou:

    “Quando as mulheres não têm um lugar seguro e privado que possam utilizar como casa de banho, ficam expostas e numa posição de vulnerabilidade e, quando fazem as suas necessidades a céu aberto, arriscam-se a ser alvo de assédio. As mulheres estão relutantes em falar acerca desta questão ou queixarem-se, mas o mundo não pode continuar a ignorar esta situação.”

    “Instalações sanitárias adequadas, em conjunto com o acesso à água limpa e segura para beber, transformam vidas, melhoram a saúde, a segurança e a produtividade. Os governos têm que tomar medidas e investir no acesso às instalações sanitárias e à água.”

    Outros estudos do Uganda e do Quénia demonstram que tais experiências de receio, indignidade e violência são comuns em África, nas regiões em que as mulheres não têm acesso a instalações sanitárias seguras e adequadas.

    Sandimhia Renato, 18 anos, caminha todos os dias 15 minutos em Moçambique para defecar no meio de arbustos.

    “Por vezes quando vou sinto-me envergonhada e volto sem defecar. Por vezes espero até ficar escuro para lá ir para que ninguém possa ver-me. Ficarei muito preocupada com o facto de a Diani, a minha filha, ir até aos arbustos porque ficam muito longe daqui. Durante a noite é muito perigoso. As pessoas são mortas. Uma mulher e um menino foram mortos com facas. Uma mulher que conheço foi violada.”

    A segurança revelou-se uma preocupação recorrente entre as mulheres dos bairros degradados de Lagos, com 67% das inquiridas a afirmarem que se sentem inseguras mesmo quando utilizam casas de banho partilhadas ou comunitárias num local público.

    Uma higiene deficiente tem implicações graves na saúde. Todos os dias, mais de 1.000 mães africanas perdem um filho devido a doenças diarreicas originadas pela falta de instalações sanitárias adequadas e de água limpa.

    A falta de instalações sanitárias decentes também afecta a produtividade e os meios de subsistência. As mulheres e as meninas que vivem na África Subsariana sem instalações sanitárias despendem 20 biliões de horas por ano para encontrarem um lugar a céu aberto no qual possam satisfazer as suas necessidades, de acordo com os números revelados num briefing da WaterAid.

    Barbara Frost prosseguiu:

    “Neste Dia Mundial das Casas de banho, a WaterAid junta-se ao apelo de centenas de organizações em todo o mundo, para que os governos cumpram as promessas que fizeram de oferecer instalações sanitárias adequadas e água segura para as pessoas mais pobres do mundo”.

    A WaterAid lançou também um novo filme que mostra como seria para as mulheres do mundo ocidental se também elas não tivessem acesso a instalações sanitárias adequadas. O filme pode ser visualizado online em www.wateraid.org/1in3.

    Distributed by the African Press Organization on behalf of WaterAid.

    Notas para os editores:

    A sondagem na Nigéria foi comissionada pela WaterAid, e efectuada pela empresa internacional de sondagens e pesquisas GlobeScan, para realizar uma sondagem nos bairros degradados de Lagos, entre 18 e 22 de Outubro de 2012. A sondagem entrevistou 500 mulheres acerca das suas experiências em relação às instalações sanitárias. A pesquisa foi efectuada em cinco áreas de bairros degradados; Ajegunle, Ijora, Badia, Oko Agbon e Otto-Oyingbo.

    Alguns dos restantes resultados da sondagem revelaram que:

    • O local mais comum para as mulheres acederem a instalações sanitárias era “um local informal a céu aberto” (40%) em comparação com uma casa de banho nas suas próprias casas (33%), casa de banho pública na área em que vivem (19%) ou casa de banho pública no local em que trabalham (6%).
    • 68% das mulheres afirmaram que o custo do acesso a casas de banho públicas constitui um problema para elas.
    • 61% das mulheres afirmaram que as casas de banho públicas que normalmente utilizam não reúnem condições mínimas de higiene.
    • 98% das mulheres afirmaram que, em comparação com outras prioridades como o investimento na educação ou na infra-estrutura de transportes, sentiam que também era muito importante (89%) ou algo importante (9%) que o Governo Nigeriano invista em instalações sanitárias como forma de melhorar a sua saúde, segurança e meios de subsistência.

    A visão da WaterAid é a de um mundo no qual todas as pessoas tenham acesso à água segura e a instalações sanitárias. A organização internacional está presente em 27 países de África, Ásia e na região do Pacífico para transformar vidas através da melhoria do acesso à água segura, higiene e instalações sanitárias em algumas das comunidades mais pobres do mundo. Desde 1981, a WaterAid já chegou a 17,5 milhões de pessoas com água segura e, desde 2004, a 12,9 milhões de pessoas com instalações sanitárias. Para mais informações, visite www.wateraid.org, siga @wateraid no Twitter ou visite-nos no Facebook em www.facebook.com/wateraid.

    • Cerca de 2000 crianças morrem todos os dias devido a doenças causadas por água imprópria e instalações sanitárias deficientes.
    • 783 milhões de pessoas no mundo vivem sem água segura. Isto corresponde a cerca de um oitavo da população mundial.
    • 2,5 biliões de pessoas vivem sem instalações sanitárias, o que equivale a 39% da população mundial.
    • Por cada £ 1 investida em água e instalações sanitárias, existe uma média de £ 4 de retorno no aumento da produtividade.
    • Apenas £ 15 podem permitir a uma pessoa o acesso a uma fonte de abastecimento de água segura duradoura e a condições de higiene e instalações sanitárias melhoradas.

    SOURCE

    WaterAid


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